Para se proteger do borrachudo, use repelente registrado na Anvisa nas partes do corpo descobertas, vista roupa comprida e clara nos horários e lugares de mais ataque e, na propriedade, cuide dos rios e córregos onde as larvas se criam. O borrachudo (Simulium) é diferente do pernilongo: não nasce em água parada, e sim em água corrente e limpa, por isso aparece tanto em sítios, chácaras e bairros perto de rios no oeste de Santa Catarina.
O que é o borrachudo e por que ele aparece tanto aqui
O borrachudo é um mosquitinho escuro, de corpo curto e “corcunda”, bem menor que o pernilongo. Só a fêmea pica, porque precisa de sangue para amadurecer os ovos. A picada dói na hora, sangra um pouco e depois incha e coça por dias.
O Manual de Controle de Pragas da Vigilância em Saúde Ambiental de Chapecó (revisão 2019) lista o borrachudo, da espécie Simulium pertinax, entre as pragas urbanas de interesse no município, ao lado do Aedes aegypti. Você pode consultar o manual da Prefeitura de Chapecó.
Segundo o entomólogo Renato Pegoraro, pesquisador da Epagri, em entrevista à Revista Cultivar, o Simulium pertinax é a principal espécie que pica pessoas em Santa Catarina. Ele cita o oeste catarinense como área crítica, porque o lançamento de dejetos, como os da suinocultura, em riachos alimenta as larvas. O desmatamento da mata ciliar também ajuda o inseto a se espalhar.
Ciclo de vida em poucas linhas
- A fêmea põe os ovos em folhas e pedras molhadas por uma lâmina fina de água corrente.
- As larvas ficam presas às pedras, dentro da correnteza, e se alimentam de matéria orgânica da água.
- A pupa continua embaixo d’água até o adulto sair.
- Nos meses quentes o ciclo é mais rápido e a população explode.
Quando e onde o borrachudo ataca mais
O borrachudo pica de dia, ao contrário do pernilongo, que prefere a noite. O ataque costuma ser mais forte de manhã cedo e no fim da tarde, em dias quentes e úmidos, e perto de rios, sangas e cachoeiras. No interior de Chapecó e nas cidades vizinhas, como Guatambu, Caxambu do Sul e Nova Erechim, quem mora perto de curso d’água conhece bem o problema na primavera e no verão.
| Situação | Risco de picada | Proteção recomendada |
|---|---|---|
| Lida na lavoura ou na granja perto de sanga | Alto | Calça, manga comprida, chapéu, repelente nas mãos, pescoço e rosto |
| Pescaria, trilha ou cachoeira | Alto | Repelente antes de sair e reaplicação, roupa clara e comprida |
| Quintal de casa perto de rio | Médio | Repelente nos horários de ataque, telas nas janelas |
| Dentro de casa com janelas teladas | Baixo | Manter portas fechadas no fim da tarde |
Como se proteger das picadas
Repelente
Escolha um produto com registro na Anvisa e siga o rótulo. O Conselho Federal de Farmácia publicou orientações sobre o uso de repelentes com as idades mínimas de cada ativo: DEET a partir de 2 anos (até 10% entre 2 e 12 anos), icaridina a partir de 2 anos e IR3535 a partir de 6 meses. Se usar protetor solar, ele vai primeiro e o repelente depois. Em bebês e crianças pequenas, converse com o pediatra.
Passe nas partes descobertas, inclusive orelhas, nuca e tornozelos, que o borrachudo adora. Reaplique depois de suar muito ou de entrar na água.
Roupa
Calça comprida, meia, camisa de manga longa e chapéu reduzem muito as picadas. Tecido mais grosso e cores claras ajudam. Para trabalho no campo, existem roupas e redes de cabeça próprias para insetos.
Casa
- Telas nas janelas e portas, com malha fina, porque o borrachudo é pequeno.
- Fechar a casa no fim da tarde nos dias de muito inseto.
- Ventilador na varanda atrapalha o voo dos insetos pequenos.
O que fazer na propriedade para reduzir o borrachudo
O borrachudo nasce no rio. Por isso, as medidas que funcionam de verdade são ambientais e, muitas vezes, coletivas, envolvendo vizinhos e o município. As orientações do pesquisador da Epagri incluem:
- Não jogar lixo nem dejetos nos córregos. Esterco, esgoto e restos orgânicos alimentam as larvas.
- Manter chiqueiros, aviários e currais longe da água e com o manejo correto dos dejetos.
- Limpar o leito dos córregos, retirando entulho, galhos e folhas onde as larvas se fixam.
- Preservar e recuperar a mata ciliar, que funciona como barreira para os adultos.
- Proteger os peixes nativos dos córregos, como o cascudo, que ajudam no controle natural.
Controle com larvicida biológico
Muitos municípios do Sul fazem programas de controle do borrachudo com larvicida biológico à base de Bacillus thuringiensis israelensis (BTI), aplicado nos rios em pontos e doses definidos por técnicos. É um trabalho de poder público ou de associações, com planejamento por bacia, porque o inseto adulto voa longe. Não aplique produto por conta própria em rio: além de ser ineficaz sem cálculo de vazão, pode causar dano ambiental e é tratado pela legislação ambiental. Se o problema é grande na sua comunidade, procure a secretaria de agricultura ou de meio ambiente do município.
Dedetização ajuda contra borrachudo?
Pouco. A aplicação de inseticida em volta da casa até reduz insetos por alguns dias, mas o borrachudo continua nascendo no rio e chega voando. Por isso não vendemos dedetização como solução para borrachudo. Onde podemos ajudar é no controle de mosquitos de modo geral, quando o incômodo vem de pernilongos e do Aedes que se criam em água parada no próprio terreno. Se não sabe qual dos dois está picando, a vistoria esclarece.
Para pernilongo e Aedes dentro de casa, veja as dicas de como afastar mosquitos de casa. E se a preocupação é a dengue, leia dengue em Chapecó: como eliminar criadouros.
Picada de borrachudo: cuidados
Lave o local com água e sabão, use compressa fria e evite coçar para não abrir ferida. Muitas picadas de uma vez, inchaço grande, febre, sinais de infecção ou falta de ar pedem atendimento médico. Crianças costumam reagir mais. Não aplique produtos caseiros na pele sem orientação.
Borrachudo, pernilongo ou maruim: como saber qual é
Nem todo inseto pequeno que pica perto do rio é borrachudo. Algumas pistas ajudam:
- Borrachudo: preto, robusto, pica de dia, a picada sangra um pouquinho e deixa um ponto vermelho com inchaço que coça por dias.
- Pernilongo: maior, de pernas longas, pica à noite e faz zumbido perto do ouvido.
- Maruim (mosquito-pólvora): minúsculo, quase invisível, aparece em fim de tarde em áreas de mangue e mata úmida e passa pela malha de telas comuns.
Saber qual é muda a proteção. Contra o pernilongo, tela e ventilador no quarto resolvem muito. Contra o borrachudo, a defesa é durante o dia, ao ar livre, com roupa e repelente.
Fale com a gente
Mora em Chapecó ou região e não sabe se o problema é borrachudo, pernilongo ou Aedes? Chame a Dedetizadora Chapecó pelo WhatsApp. Na vistoria a gente identifica o inseto, mostra de onde ele vem e diz com franqueza o que vale a pena fazer.



